
Na primeira metade dos anos 90 era impossível ligar o rádio de pilha e não ouvir qualquer canção do grupo Raça Negra. Independente do horário, você escutava músicas como “Cheia de Manias”, “Jeito Felino”, “Me leva junto com você”, “Quando te encontrei” e “É tarde demais”, só para citar algumas. Para ter ideia do que é isso, o grupo entrou para o Guines Book com um de seus sucessos. A canção “É tarde demais” foi tocada 600 vezes em um único dia no mundo.
Raça negra era música para limpar a casa, fazer o almoço, churrasco de domingo, viagem etc. Não importava o local e a companhia, todos cantarolavam, afinal, as palavras que saiam da boca de Luiz Carlos era para quem já havia sofrido de amor ou estava apaixonado, e quem nunca? Eu nunca, pois era uma criança na época, mas fingia ter sofrido como um velho de 60 anos, só para as letras terem mais sentido ao serem cantadas por mim.
“Olha só você, depois de me perder, veja só você que pena. Você não quis me ouvir, você não quis saber, desfez do meu amor, que pena…que pena”
Raça Negra tinha o poder de cativar a pessoa independente da classe social, pois suas letras simples e verdadeiras harmonizavam perfeitamente com o ritmo e a língua presa do cantor. O grupo pioneiro do pagode romântico faz a gente se arrepiar ao escutar apenas as introduções de suas músicas. É uma mistura de felicidade por ter vivido algo parecido com o que a letra da música diz, e ao mesmo tempo de melancolia por aquela história ter tido um fim, como tudo na vida.



