
Em um artigo recente escrevi sobre a Estante Virtual. Para comprovar a veracidade do site, adquiri dois livros: “Nada de novo no front” e “Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias”. Apesar de ter enrolado muito para ler, terminei o livro ontem, já o segundo livro espero terminar na próxima segunda-feira.
“Nada de novo no front” é um livro do alemão Erich Maria Remarque, que conta a história de Paul durante a I Guerra Mundial. O que chama a atenção na escrita do autor é a riqueza dos detalhes, mostrando todo horror proporcionado pela guerra. Os relatos de Remarque estão longe de evidenciar o heroísmo que vimos em filmes de guerra, ele descreve como é viver nessa loucura como um maltrapilho assustado, com fome, sede, medo e saudade.
“Este livro não pretende ser um libelo nem uma confissão, e menos ainda uma aventura para aqueles que se deparam face a face com ela. Apenas procura demonstrar o que foi uma geração de homens que, mesmo tendo escapado as granadas, foram destruídos pela guerra.”
Resumo: Nada de novo no front
Paul Bäumer e um grupo de jovens alistam-se no exército alemão pouco depois do início da I Guerra Mundial, influenciado pelo seu professor. Constantemente no front da guerra tentando salvar-se dos incessantes bombardeios, balas perdidas e gases dos seus inimigos, Paul ainda precisa driblar a fome, o medo e tudo de ruim que assombra a guerra.
São dias infernais mas que por consequência da guerra tornam-se dias normais, por isso o título “Nada de novo no front”. O estranho para Paul é voltar ao mundo civil, com a população apoiando a guerra a todo custo, sem saber o que realmente acontece dia após dia no front de batalha.
Diferente das gerações acima que têm emprego e já constituíram família, a geração de Paul por ser jovem demais, não tem uma vida construída e nada que lhe prendam à civilização. Este fato é levantado por Paul constantemente, ele alerta para que após a guerra sua geração não conseguirá voltar a vida normalmente, como quem volta ao seu emprego de agricultor ou mecânico. A única coisa que esses jovens sabem fazer na vida, é atirar, matar e viver um dia de cada vez tentando manter-se vivo.
“Vemos homens ainda vivos que não têm mais a cabeça; vemos soldados que tiveram os dois pés arrancados andarem, tropeçando nos cotos lascados até o próximo buraco; um cabo arrasta-se dois quilômetros de quatro, arrastando atrás de si joelhos esmagados; outro, chega até o Posto de Primeiros Socorros e, por sobre as mãos que os seguram, saltam os seus intestinos. Vemos homens sem boca, sem queixo, sem rosto; encontramos um homem que, durante duas horas, aperta com os dentes a artéria de um braço, para não ficar exangue.”
O autor: Erich Maria Remarque

Erich Paul Remark nasceu na Alemanha e com 18 anos partiu para as trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial, onde foi ferido três vezes. Depois da guerra mudou o seu nome para Remarque e teve diversos empregos. Suas noites foram ocupadas com as lembranças dos horrores que viveu na I Guerra Mundial. Ao passar suas recordações para o papel, Remarque viu suas anotações como o núcleo de um futuro livro que foi publicado em 1929. No ano seguinte a história do seu livro parou no cinema e venceu o Oscar daquele ano. Dois anos depois, em 1933, o partido nazista o perseguiu e Remarque exilou-se na Suíça, mudando posteriormente para os Estados Unidos. Além disso sua obra também foi queimada com a justificativa de que era um livro nocivo à juventude alemã.
Remarque escreveu outras obras de conteúdo semelhante que descrevia a guerra e o pós-guerra, porém bem menos expressivas que “Nada de novo no front“. Entre elas estão: “Arco do triunfo” e “Amar e morrer“.
“No desespero e no perigo, as pessoas aprendem a acreditar no milagre. De outra forma não sobreviveriam.”
Ler o “Nada de novo no front” é como escutar a história de um avô. É tanto detalhe que é possível ter uma ideia dos horrores que o homem é obrigado a submeter-se para salvar sua vida. Lutar sem saber o motivo real de estar lutando, lutar sabendo que você só tem a perder, seja no campo físico ou psicológico, tudo isso com apenas 18 anos de idade é assustador. Imagino que Remarque tenha conseguido passar tudo que desejava em sua obra. Não foi à toa que foi parar no cinema, ganhou o Oscar e em breve veremos um remake de “Nada de novo no front“, aguarde.
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