Filme: Hachikô Monogatari
Infelizmente, quando volta o período da faculdade não consigo assistir aos filmes, seriados e documentários que pretendo, e isso acaba influenciando nas atualizações do zecanet, mas isso vai mudar. Nas férias do meio do ano, assisti ao filme japonês Hachikô Monogatari. Depois do filme “Na natureza selvagem”, foi o melhor filme que assisti em 2011.
O filme
Hachikô Monogatari conta a história de um cão da raça Akita que recebeu o nome de Hachi-kô. Hachi é o numeral 8 em japonês e kô que significa príncipe ou duque. A família Ueno havia sofrido bastante ao perder seu cachorro Gonsuke. Um amigo da família, ao saber de uma ninhada de Akita puro, vai até Õdate para reservar um dos filhotes para seu amigo, o professor Hidesaburō Ueno, e promete trazê-lo após o ano novo. Hidesaburõ não queria tanto o cachorro, pois lembrava o sofrimento que foi perder seu antigo companheiro, mas por insistência da filha acaba aceitando o presente.
Em seguida, a filha do professor Ueno descobre que está grávida, casa e vai morar em outra cidade. Os cuidados com Hachikô fica por conta do professor Ueno. Hachikō acompanhava Ueno desde a porta de casa até a estação de trens de Shibuya, retornando para encontrá-lo ao final do dia, isso repetia-se diariamente. Os funcionários da estação de trens, notavam a lealdade do cão com seu dono e ficavam impressionados com tal gesto.
Cerca de um ano e quatro meses depois, Ueno sofre um derrame súbito e morre. No velório, Hachikô invade o local e começa a latir e a chorar, no dia seguinte Hachikô segue o carro que leva o corpo do professor pelas ruas. A esposa do professor, agora sozinha, decide morar com sua filha, dispensa os seus empregados e vende a casa. Hachikô fica com um parente em Asakusa, mas o amor e a lealdade para com o professor fala mais alto. Hachi foge e retorna para sua antiga casa, mas já não mora ninguém mais lá. Hachi então fica com o ex-jardineiro da casa que o conhece desde filhote, o ex-jardineiro vem a falecer depois e Hachikô fica na rua.
Nos próximos 10 anos, Hachikô retornava à estação de trens sempre no mesmo horário, esperando em vão pelo seu dono e amigo.

Fotos reais de Hachikô e seu dono professor Hidesaburō Ueno
Hachikô e a cultura japonesa
Em 1932, Hachikô foi percebido por um pesquisador da raça Akita, ex-aluno do professor Ueno. E ao encontrar algumas vezes com o cachorro, publicou um censo sobre a raça e constatou que havia apenas 30 cachorros puro-sangue da raça Akita no país. Em seguida o mesmo pesquisador publicou outros artigos, evidenciando a lealdade de Hachikô com seu dono durante todos esses anos após sua morte.
Pouco depois Hachikô apareceu em um grande jornal do país, além de uma enciclopédia sobre cães publicada no exterior. Essa exposição levou Hachikô a um status de celebridade no país, sua lealdade ao seu dono virou exemplo a ser seguido. Para se ter ideia, pais e professores usaram a história de Hachikô como exemplo para educar as crianças japonesas.
Hachikô, sua raça e os japoneses
A raça Akita é muito importante para os japoneses, pois uma característica forte desta raça é a lealdade com seu dono. Corre diversas histórias pelo Japão sobre os cães da raça Akita, muitos teriam perdido a vida defendendo seu dono. O cão da raça Akita é tão importante que é considerado Patrimônio Nacional do povo japonês, sua exportação é proibida. Se o dono de um cão da raça Akita não tiver condições financeiras para cuidar dele, o governo japonês assume sua guarda.

Homenagem ao Hachikô
Em 1934, como um exemplo a ser seguido, tanto pelo seu amor, dedicação, lealdade e devoção a memória do seu dono, Hachikô ganhou uma estátua de bronze em frente à estação de Shibuya, local onde aguardava seu dono chegar. Junto da estátua havia um poema cujo título era “Linhas para um cão leal”. A fama de Hachi aumentou ainda mais, ele apareceu em cartões postais, miniaturas e amostras de cães.
Ao passar o tempo, a história de Hachikô foi distorcida e usada como símbolo de lealdade ao Estado. Hachikô era usado em propagandas que difundiam o fanatismo nacionalista, que acabou levando o país a guerras, como a Segunda Guerra Mundial. A primeira estátua foi derretida e usada para a fabricação de armamento para a Segunda Guerra. Quatro anos depois, o filho do escultor que fez a primeira estátua de Hachikô criou uma réplica da estátua, e ela foi reintegrada no mesmo lugar da anterior, onde permanece até os dias de hoje.
Homenagem ao Hachikô após sua morte
A morte de Hachikô virou notícia nos jornais japoneses, uma parte considerável dos japoneses ficaram extremamente tristes com a morte do cão, um dia de luto foi declarado. Todo dia 8 de abril é feita uma cerimônia solene na estação de trem, em homenagem à história de Hachikô. Seus ossos foram enterrados na sepultura do professor Ueno, sua pele foi preservada e uma figura empalhada pode ser vista no Museu Nacional de Ciências em Ueno.
Trailer do filme Hachikô Monogatari
Hachikô esperou exatos 9 anos e 10 meses o retorno de seu mestre na estação de trens de Shibuya. Depois de ler este artigo, vai dizer que você não teve vontade de ter um cão?
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